"Homens de Caminho" focaliza os intercâmbios mercantis entre os interiores das antigas capitanias de Ilhéus e Porto Seguro, incorporados à da Bahia e anexados depois à de Minas Gerais, desenvolvidos num processo que a autora ele denominou de "interiorização do Império português", para definir a conquista, ocupação e exploração econômica dos sertões. Diferentemente de uma antiga historiografia que concebia o sertão como pobre e isolado, a autora define os espaços estudados, apresenta os agentes da apropriação territorial, colonização e trânsitos comercias e caracteriza os caminhos pelos quais se empreendiam essas relações de troca, que extrapolavam as afinidades sociais e culturais. Seu estudo dialoga com as fontes documentais e bibliográficas, desde as crônicas coloniais às elaborações fundamentadas em novos paradigmas teóricos e metodológicos. Aborda criticamente os fatos, confronta metodologias, ressalta o papel das vias de comunicação e do comércio legal e ilegal. Desvenda ainda os trânsitos de culturas de um a outro lado do Atlântico, as formas de pensar dos colonizadores e seus métodos administrativos, sem, no entanto, priorizar as iniciativas de bandeirantes paulistas, como preferiam os antigos historiadores. A historiadora concebe os sertões como múltiplos, assim como suas gentes que têm nomes, rostos e cores num espaço, considerado por ela, como social mestiço e multicolor.
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PAIVA, Eduardo França; AMANTINO, Marcia; IVO, Isnara Pereira (Orgs.). Escravidão, Mestiçagens, Ambientes, Paisagens e Espaços. São Paulo: Annablume, 2011.
Neste novo livro, escravidão e mestiçagens aparecem estudadas em conexão com ambientes, paisagens e espaços. [...] além do continuum entre dimensões espaciais, tais como urbe, sub-urbe e áreas rurais, buscou-se, também, desprivilegiar os espaços urbanos
como o único locus do exercício da política, por exemplo. Dessa forma, os autores tomaram as espacialidades coloniais e oitocentistas como produtos peculiares da história desse universo, que, por isso, precisa ser cada vez mais estudado de maneira integrada. Os espaços aqui enfocados foram construídos de forma compartilhada (o que não significa equalizada) por índios, negros, brancos, crioulos e mestiços de todas as “qualidades”, sejam homens e mulheres, escravos, forros e livres e conhecê-los melhor, a partir do eixo Escravidão e Mestiçagens, tornou-se o maior objetivo dos pesquisadores do Grupo.
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SILVA, Maciel Henrique. Pretas de Honra: vida e trabalho de domésticas e vendedoras no Recife do século XIX (1840-1870). Salvador: EDUFBA, 2011.0
Detalhadamente, este livro aborda o processo de urbanização e a vida cotidiana do Recife oitocentista, em particular de suas mulheres: escravas, forras ou livres e mesmo brancas empobrecidas. O objetivo é compor um quadro de experiências sociais das mulheres que serviram como domésticas e vendedoras para senhores de escravos, locatários e patrões.
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IVO, Isnara Pereira; PAIVA, Eduardo França; MARTINS, Ilton César (Orgs.). Escravidão, mestiçagens, populações e identidades culturais. São Paulo: Annablume, 2010.
As abordagens teórico-metodológicas são variadas, assim como é diverso o universo das fontes e dos temas enfocados pelos autores. No geral, entretanto, são textos nos quais se estudam a escravidão negra e a indígena; o trânsito de culturas africanas nas Américas; as dinâmicas históricas das mestiçagens biológicas e culturais; o mundo dos alforriados e os aspectos econômicos da sociedade brasileira durante o período colonial e o Império. O Brasil é, naturalmente, o foco principal dos textos, mas as comparações e as conexões estabelecidas o colocam, em vários momentos, relacionado a outras sociedades, marcadamente as da América espanhola, da Europa e da África, assim como se procedeu a comparações entre as distintas áreas internas brasileiras.
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IVO, Isnara Pereira; PAIVA, Eduardo França (Orgs.). Escravidão, mestiçagem e histórias comparadas. São Paulo: Annablume, 2008.
A vida de negros e de mestiços – escravos, libertos e nascidos livres – na América portuguesa, na América espanhola, bem como nas áreas francesas e holandesas do continente, em cidades européias e em regiões africanas, é o foco central desse texto. O período a ser examinado estende-se do século XVI ao XVIII e, às vezes, entra pelo século XIX. As dimensões espacial e temporal são, certamente, muito amplas e o objetivo de abarcar toda essa extensão, é claramente pretensioso. Contudo, não é tarefa impossível e isso depende muito do método de pesquisa e de conceitos-chave que permitirão viabilizar reflexões e argumentos tão abrangentes, sem correr o risco de grandes generalizações e de invenção de contextos históricos inexistentes, práticas que uma antiga história comparativa acabou executando, instituindo-se, inclusive, como modelo científico absolutamente confiável. Nesse caso, e em última instância, uma linha evolutiva da História, lastreada em crenças civilizacionais e em rígidas hierarquias sociais e culturais, que estabelecia modelos históricos ideais e serem perseguidos pela humanidade, condicionava toda a trajetória histórica e, portanto, permitia as grandes comparações entre o que não era comparável, pelo menos não o era dessa forma. Não é esse, evidentemente, o propósito desse texto.
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NETTO, Rangel Cerceau. Um em casa de outro: concubinato, família e mestiçagem na Comarca do Rio das Velhas (1720-1780). São Paulo: Annablume, 2008.
Pretende-se neste trabalho estudar as relações concubinárias como opção de organização familiar de diversos grupos sociais. O ponto de partida são os constantes debates que envolvem a variedade de culturas familiares e de comportamentos presentes nasociedade colonial. O estudo desenvolve-se com a análise dos vários sujeitos sociais que povoaram a região das Minas Gerais e se envolveram nesses tipos de relacionamentos. Desse modo, este trabalho constitui-se num esforço em situar a temática do concubinato como um estudo dos agentes sociais que o praticaram e estabeleceram várias outras relações familiares que diferiam do modelo cristão monogâmico de casamento.
AMANTINO, Marcia. O mundo das feras: os moradores do sertão oeste de Minas Gerais – século XVIII. São Paulo: Annablume, Fapesp, 2007.
“O livro de Marcia Amantino ajuda a preencher uma enorme lacuna de nossa historiografia. De maneira simples e direta, propõe uma interpretação algo diferenciada da história dos quilombos no Brasil e, mesmo, nas Américas, tentando, sobretudo, pôr ordem na casa. De fato, quando constatamos que, dependendo da região, por quase 400 anos o cativeiro vicejou no Novo Mundo, torna-se difícil acatar a simplicidade contida em interpretações que reduzem a complexidade da escravidão à “resistência”. Tamanha estabilidade repousava, em primeiro lugar, nas tênues fronteiras entre o cativeiro e a liberdade...”. Da introdução de Manolo Florentino.
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LIBBY, Douglas Cole; FURTADO, Júnia Ferreira (Orgs.). Trabalho livre, trabalho escravo: Brasil e Europa, séculos XVIII e XIX. São Paulo: Annablume, Fapesp, 2007.
Este livro agrega estudos sobre o trabalho livre e o trabalho escravo numa perspectiva comparativa. Reúne vários estudiosos no Brasil, na Europa e nos EUA de temas relacionados ao trabalho, à sociedade livre e à sociedade escravista. Sua importância específica encontra-se no estabelecimento de um diálogo entre dois discursos antes distintos, visando contribuir para afinar a sensibilidade dos estudiosos do trabalho livre e da escravidão com relação às linguagens culturalmente mistas do trabalho. Fica cada vez mais claro que a história dos escravos do Novo Mundo e a dos trabalhadores europeus estão "emaranhadas", não apenas por meio das redes internacionais de comércio, mas também, a distinção entre trabalho "livre" e trabalho "não livre" foi, em grande parte, construída em função dos debates abolicionistas do início do século XIX. A comparação proposta aqui, no entanto, é significativamente distinta, pois aponta para o desenvolvimento de uma História do Trabalho verdadeiramente "global", resgatando-nos, assim, do provincianismo do contingente e da tirania do singular. É a comparação da sociedade escravista por excelência com a sociedade do trabalho livre.
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LIBBY, Douglas Cole; PAIVA, Eduardo França. A escravidão no Brasil: relações sociais, acordos e conflitos. São Paulo: Moderna, 2005.
Fundamentados nos estudos mais recentes sobre a escravidão no Brasil, os autores apresentam um painel abrangente e revelador sobre um dos temas mais importantes da nossa história: a escravidão do negro e seus profundos efeitos nos valores e comportamentos ainda presentes na sociedade brasileira, como a depreciação do trabalho braçal e a inferiorização social do negro.
Criticando as interpretações simplificadoras - como as que atribuem ao senhor um papel ativo e ao escravo a passividade -, os autores não só oferecem várias e novas informações sobre o assunto, como também instigam os estudantes a refletir sobre as relações sociais no Brasil.
Criticando as interpretações simplificadoras - como as que atribuem ao senhor um papel ativo e ao escravo a passividade -, os autores não só oferecem várias e novas informações sobre o assunto, como também instigam os estudantes a refletir sobre as relações sociais no Brasil.
BERTIN, Enidelce. Alforrias em São Paulo do século XIX: liberdade e dominação. São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, 2004.
Originalmente Dissertacao, Mestrado, Universidade de Sao Paulo, 2001. Reune cartas de liberdade de escravos registradas na cidade de Sao Paulo no seculo XIX, ate hoje ineditas, contribuindo para os estudos que visam compreender os mecanismos do dominio senhorial no Brasil oitocentista.

PAIVA, Eduardo França. Escravos e libertos nas Minas Gerais do século XVIII: estratégias de resistência através de testamentos. 3a edição. São Paulo: Annablume, 2003.
Eduardo Paiva empreendeu um estudo original sobre o universo colonial e sobre o cotidiano das relações escravistas nas Minas Gerais entre 1720 e 1785, mostrando como escravos e libertos e seus descendentes assumem o papel de transformadores de seu tempo e, portanto, de agentes históricos.
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PAPALI, Maria Aparecida C. R. Escravos, libertos e órfãos: a construção da liberdade em Taubaté (1871-1895). São Paulo: Annablume, Fapesp, 2003.
Maria Aparecida Papali desvenda focos de tensão ainda existentes entre recém-libertos e seus antigos senhores, que ultrapassaram o 13 de maio de 1888. Por meio das brechas permitidas pela Legislação de 1871, relapsa em relação ao ingênuo, ex-senhores de Taubaté, amparados pelo Judiciário, buscaram tutelar os filhos de suas escravas libertas, crianças e jovens que, da condição de ingênuos, foram lançados à condição de “órfãos” desamparados. Ao serem tutelados, tais menores eram encaminhados ao serviço doméstico ou ao trabalho na lavoura. Papali, pesquisando as Ações de Tutela, mostra como libertos e libertas lutaram na Justiça, ou fora dela, para reagrupar suas famílias e ter seus filhos de volta.
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PAIVA, Eduardo França. Escravidão e universo cultural na colônia: Minas Gerais, 1716-1789. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001.
Compreensão da complexa e fascinante sociedade mineira colonial, particularmente das relações escravistas aí desenvolvidas, é a tônica desta obra. Para isso o autor estudou, através de testamentos e de inventários post-mortem de homens e mulheres livres e libertos do século XVIII, as antigas comarcas do Rio das Velhas, ao Norte, e do Rio das Mortes, ao Sul de Minas Gerais, e investigou, principalmente, o dia-a-dia das mulheres ex-escravas e de suas famílias, no período que se estende entre 1716 e 1789.
Reconstitui partes importantes da história de pessoas que viveram em Campinas a partir da década de 70 do século XIX. Mostra como teceram os diversos fios que os levaram à liberdade, o modo como reorganizaram suas vidas e aproveitaram os aprendizados do cativeiro. Identifica as alianças que construíram ao se tornarem trabalhadores livres: as relações com os antigos companheiros de lida nas fazendas ou seus ex-senhores e com os novos amigos da vizinhança.




